Bloco Os Karambolas do Cumbe: Um expressão de Cultura e Resistência no Quilombo do Cumbe
Primeiro standart do Bloco Os Karambolas do Cumbe. Feito por Cleomar Ribeiro. A pessoa da foto é o Damião

 Em 25 anos de luta e resistência celebrado no mês de dezembro de 2021, o quilombo resiste a várias destruições causadas pelos empreendimentos. Essas destruições vão além das causas ambientais por conta de empreendimentos da carcinicultura e usinas eólicas que são outras batalhas, elas atingem o nosso modo de vida local, nossas expressões   culturais que são importantes dentro de nossas tradições. Uma vez que, por conta dos empreendimentos, outras pessoas estão vindo morar na comunidade,  de  certa forma acabam sobrepondo seus costumes sobre o da população nativa, descaracterizando, ou até mesmo extinguindo essas manifestações culturais. Nesse sentido, buscamos fortalecer uma de nossas manifestações, que é o Bloco Carnavalesco  Os Karambolas do Cumbe.

Em  2015, com uma experiência da casa Maré das Artes, espaço comunitário autônomo de compartilhamento criativo, desenvolvido pelos jovens Mari, Tom e Titi, em parceria com a Associação Quilombola do Cumbe. Cria o Bloco "Os Karambolas do Cumbe", o nome dado, foi pensado um dia antes da sexta de carnaval  de 2015, que surge   de uma lembrança de um dado momento quando  comunidade foi participar de um evento cultural no assentamento da reforma agrária Araguaia, No caminho, sem saber onde ficava o assentamento os moradores pararam para pegar informação numa casa bem isolada  na estrada. Chegando a casa, foram atendidos   por um senhor onde se apresentaram como Quilombolas do Cumbe, a esposa do senhor lá do quarto perguntou quem era que estava ali, então o senhor gritou " são os Carambolas do Cumbe".Logo após, ele informou onde era o assentamento e o grupo seguiu sorrindo do nome que tinha sido dado para os Quilombolas do Cumbe. Então na véspera do carnaval,  num estalar da memória esse momento foi  lembrado. O objetivo do bloco é igual aos das outras  manifestações culturais do calendário do quilombo, nasce do ato de resistir. resistir a o que se apresentava como proposta para os brincantes. resistimos aos carros com paredões com o volume ensurdecedor e as degradáveis músicas que desconfigurou totalmente  nossa tradição. Outro objetivo do bloco é rememorar e trazer como prática cultural os nossos papangus, criando uma ala especialmente para eles. A comunidade aderiu ao bloco e muitas pessoas vieram prestigiar. Por dois anos participaram com o grupo Maracati, do carnaval cultural do município de Aracati.

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Em 2021 por conta da COVID-19, não foi possivél colocar o bloco na rua. Seria o sexto ano de apresentação e de sua existência. Para 2022 a Associação Quilombola do Cumbe, o Ponto de Cultura  Chama Maré, e ViArtes, planejam realizar de forma virtual o Concurso Cultural, Bloco Os Karambolas do Cumbe. Que tem por objetivo premiar a melhor fantasia de carnaval feita de modo autoral, criativa. Entendemos  a situação atual que o Brasil se encontra, Uma pandemia que de fato vitimou e ainda vitima muitas pessoas todos os dias.  Essa é uma questão, outra questão é a forma que alguns governantes a usam politicamente para beneficios próprios e de que os financiam. O que vemos é que, mesmo com a pandemia, a elite economica continuam lucrando muito,  e os pequenos tendo que encerrar suas atividades por conta da falta de apoios. Nas crises ou em pandemias, sempre quem são os penalizados são as populações mais pobres. Emprestimos  e perdão de dividas millionárias, apoios em editais com valores astonomicos, para os ricos. Para os pobres, medidas austeras, cortes de direitos, confinamentos na pandemia sem politicas publicas para superação dasdificuldades, pelo menos que garanta o basico. O setor cultural, um dos mais atinjidos pelos efeitos da pandemia, e com os desmontes do governo federal, e estando a frente uma pessoa totalmente despreparada para tocar uma pasta tão importante que gerava muitos empregos. Este, continua inerte. Trabalhar com a cultura em um cenário tão retrogrado exige muitos esforços, e amor a causa. Mas nem só de amor  vive as familias que que trabalham com a cultura, elas precisam de dinheiro  para comer, pagar contas e outras coisas em sua vida.    

Mascaras feitas por artesã  Cleomar Ribeiro

O desafio é imenso, requer estratérgias, se formos esperarmos por novos horizontes na politica, estaremos fadado ao esquecimento. Nesse sentido, buscamos dentro das possibilidades, inovar atrávez das plataformas digitais. Levar nossas expressões culturais para o mundo virtual e manter nossas tradições vivas. Não é a melhor forma, pois sentir o calor humano na participação presencial é outra coisa. Mais é uma boa alternativa para superar os desafios imposto pela pandamia e outros percauços.

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Manter nossas tradições vivas é um ato de resistir e se contrapor as desfigurações que se apresenta. Acompanhar o nosso tempo, não se significa aceitarmos qualquer coisa. Temos que sermos categóricos nesse sentido e dizer o que queremos preservar para as futuras gerações. Essa é uma de nossas contribuições para a cultura. Ressignicar o passado ao nosso presente, trazendo para nossa contemporâneidade aquilo que estava em desuso, mais que marcou infâncias e até hoje presente no imaginário de muitas pessoas. como é o caso denossos amigos papangus.

Papangu do Bloco Os Carambolas

Em breve estaremos publicando atravéz desta pagina mais informações  sobre o Concurso Cultural Os Karambolas do Cumbe 2022

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Publicado em 14/01/2022