O Quilombo do Cumbe

A fonte documental escrita mais antiga que se tem notícias é o “requerimento” (1760) proferido pelo sargento-mor Mathias Ferreira da Costa, ao Rei de Portugal D. José I, solicitando provimento para capitania do Ceará. Segundo o documento, Arquivo de Marinha Ultramar, encontrado na Biblioteca Nacional de Lisboa/Portugal, o sargento-mor era “(...) o homem mais afazendado que há nesta Villa [Aracati] tanto em bens de

Raiz, como movilia, e escravos”. O Sítio dele no Cumbe, de nome Sítio Glória, era o mais imponente da província do Ceará e do Rio Grande do Norte.

 

Estudos arqueológicos realizados (2007/2008) antes da fase de implantação dos parques de energia eólica, hoje de propriedade da empresa CPFL, nos revela que as primeiras ocupações do território do Cumbe, região do Aracati, se deram aproximadamente, por volta de 12.000 e 7.000 anos antes do presente.

Informações como essas podem ser verificadas andando pelo campo de dunas móveis, onde encontramos dezenas de amontoados de conchas com objetos de cerâmica e sílex lascado ou sítios arqueológicos que comprovam as primeiras marcas da ocupação da região. Eram grupos humanos indígenas que já mantinham uma relação muito grande com o ecossistema manguezal e com o território ancestral.

No passado o Cumbe ficou conhecido por produzir uma das melhores aguardentes. Porém os livros de história do Aracati e do estado, em momento algum, dizem quem trabalhavam na plantação da cana-de-açúcar e produção da cachaça.

No livro de Reis Filhos (2000, pág. 133) na parte de imagens sobre as vilas e cidades do Brasil colonial, encontram-se o mapa da planta do Porto e Villa do Aracati, disponível na mapoteca do Itamarati datado do ano de 1813, onde aparece a comunidade do Cumbe junto à foz do rio Jaguaribe. Com o avanço das dunas sobre a comunidade, o povoado foi se mudando de lugar, fato que acontece até os dias atuais.

Em 1859, Dom Pedro II organiza a Comissão Científica de Exploração da Província do Ceará. Essa expedição tinha como finalidade encontrar ouro e metais preciosos. O fato curioso é que essa expedição passou no Cumbe, onde o responsável Freire Alemão fez registros importantes sobre a vida da comunidade. Durante a passagem pelo Cumbe, Freire Alemão, escreveu duas cartas: “Passeio ao Cumbe” e “Visita ao Cumbe”. Na ocasião, José dos Reis Carvalho, pinta duas aquarelas sobre o Cumbe. Em uma ele retrata a duna/morro onde as pessoas diziam está encantado El Rei de Portugal Dom Sebastião com sua cavalaria. Essa duna/morro, era conhecida por morro a-pique, de tão alto que era. Segundo Freire Alemão, a duna/morro redondo, de onde saia às batidas dos tambores, era que dava o nome ao lugar, Cumbe.

TEXTO: JOÃO DO CUMBE

EDIÇÃO: VICTOR SANTOS

ATUALIZADO EM 30 DE JULHO DE 2020

Associação Quilombola do Cumbe - Comunidade do Cumbe, Aracati, Ceará.

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